EGOÍSMO

egoísmo
substantivo masculino
  1. amor exagerado aos próprios interesses a despeito dos de outrem.
  2. exclusivismo que leva uma pessoa a se tomar como referência a tudo; orgulho, presunção.
  3. ét no kantismo, submissão do dever ao interesse particular, em detrimento da obediência à lei moral.
  4. ét no nietzchianismo, sentimento restrito a homem nobre e incomum, capaz de compreender o mundo do ponto de vista exclusivo de seu próprio interesse.
  5. psic atitude ética ou social que parte do princípio de que o fundamento de todo pensamento ou ação é a defesa dos próprios interesses.

“Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.” Oscar Wilde

“O egoísmo não é amor por nós próprios, mas uma desvairada paixão por nós próprios.” Aristóteles

“Ser estúpido, egoísta e ter boa saúde, eis as condições ideais para se ser feliz. Mas se a primeira vos falta, tudo está perdido.” Gustave Flaubert

“A sorte do egoísta é viver sem preocupações; o seu castigo é morrer sem afectos.” Niceto Zamora

“O amor, todo amor, tem um forte componente de generosidade. Ele se manifesta no cuidado com o outro, naquela vontade incontrolável de dividir com ele o tempo, as ideias e as coisas materiais. O contrário do amor é o egoísmo. Quando um diminui, o outro avança. Gente que deixou de gostar vai pondo à frente as suas próprias necessidades e desejos, ignorando as vontades do outro. A generosidade desaparece. Esse é um sintoma de desligamento que nem sempre as pessoas apaixonadas percebem, embora devessem. Tornar-se refém do egoísmo do outro é uma forma de sofrimento muito barata.

Uma amiga que está passando por um momento assim me contou uma história exemplar. Ela estava em casa, meio febril, e ligou para o namorado pedindo que viesse vê-la. Ele não foi. Disse que iria, mas depois se enrolou no trabalho, ficou tarde, estava cansado, passaria na manhã seguinte. Não passou. Veio apenas na outra noite, quando ela já havia melhorado. Parece um caso extremo? Não é. Ela não estava passando mal quando chamou. Apenas sentia-se vulnerável e pedia colo. Em outros tempos, me disse, ele teria vindo. Agora não vem mais. Ela sente que algo importante mudou, para pior.

Lembro de uma ocasião em que eu tentava segurar como areia uma relação que me escapava. Num almoço com a moça que se evadia, disse a ela que a noite seguinte, uma data especial para mim, era sempre um momento difícil de estar sozinho. Ela me olhou longamente e, sem piscar, informou que naquela noite, precisamente, receberia uma amiga em casa, para tomar vinho e conversar. Eu me lembrei de todas as vezes que correra a acudir os apelos dela, e tive muita raiva. Me calei pelo resto do almoço, que foi nosso último.

É fácil fazer um julgamento moral desses comportamentos, mas não seria justo. Melhor admitir que o egoísmo é a regra e que a generosidade é uma exceção causada por afeto. Quando alguém se desvincula, a generosidade perde o sentido emocional. A outra pessoa deixa de ser especial. Do ponto de vistas dos sentimentos – embora não da biografia – torna-se apenas outro ser humano, um entre seis bilhões. Ver o seu rosto ou ouvir a sua voz não traz sensações extraordinárias. O que justificaria o tratamento especial? Gratidão, lamento dizer, não serve.

Nesse momento de mudança e ruptura, é preciso ser forte para evitar a perversão do outro.

Quando alguém sente que pode dizer ou fazer qualquer coisa sem que o outro se afaste, existe uma boa chance de que faça. Vai obter atenção sem dar atenção, vai obter carinho sem dar carinho. É humano e comum, embora triste. Há um milhão de mecanismos psicológicos que justificam esse tipo de comportamento, todos eles baseados no egoísmo. Quando se tornam incapazes de dar, as pessoas deveriam se proibir de receber, mas nem sempre fazem isso. Confusas e fracas, elas abusam dos sentimentos do outro.

O que se faz numa situação dessas? Em vez de gastar energia cobrando e brigando, talvez seja melhor afastar-se.

Você não será indenizado pela atenção que deu sem receber de volta. Não existe uma balança universal que exerça esse tipo de justiça. Se houvesse, quantos de nós escapariam? Eu me queixo hoje, mas ontem foi a minha vez de agir de forma egoísta com outra pessoa – que, por sua vez, já agira mal com alguém que gostava dela. Melhor imaginar que os sentimentos circulam e que aquilo que a gente faz aos outros retorna a nós de alguma forma, para o bem ou para o mal. Nem acho que isso seja verdade, mas ao menos é uma ideia bonita.

Quando a gente admite que o egoísmo é uma constante universal, fica mais fácil entender o mundo – e tratar com o devido carinho as exceções a essa regra duríssima.

A pessoa que passa uma noite cuidando de você, que atende ao seu chamado, que troca qualquer programa para estar ao seu lado, não tem obrigação de fazer isso. Nem é natural que o faça. Se o faz, faz por amor – e você deveria receber esse sentimento como uma dádiva rara, algo sublime que não se inclui entre os seus direitos naturais. Esse sentimento, como tantas outras coisas, pode se esgotar amanhã, deixando a sua manhã vazia e a sua alma cheia de saudades. Entenda, portanto. Agradeça em silêncio. Retribua e aproveite.” Ivan Martins – Época

 

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